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Publicado originalmente em 1903, o romance "Gradiva" do escritor alemão Wilhelm Jensen, descrito pelo próprio autor como uma ‘fantasia pompeana’, tornou-se célebre a partir do estudo que Freud lhe consagrou em 1907, "Delírios e Sonhos na Gradiva de Jensen".
O relevo da jovem que caminha de modo peculiar, com o passo marcado pela posição quase vertical dos pés, que Jensen dizia ser romana, e à qual deu o nome de ‘Gradiva’, na verdade pertence ao período áureo da arte grega. Está no Museu Chiaramonti do Vaticano (nº 644). Essa imagem foi reproduzida em gesso e era muito popular na Europa do século XIX, que se interessava sobremaneira pelos descobrimentos arqueológicos. O próprio Freud tinha uma reprodução do relevo em seu escritório.
A imagem da Gradiva está intimamente vinculada à psicanálise, por ter sido objeto da primeira análise de uma obra literária, do ponto de vista psicanalítico, com exceção, naturalmente, dos comentários de Freud sobre Édipo Rei e Hamlet em "A Interpretação de Sonhos" (1900).
Diante do romance de Jensen, Freud se encontra face a uma obra que lhe permite estabelecer um paralelismo entre o procedimento arqueológico e o método psicanalítico: Gradiva narra a história de um jovem arqueólogo e de seu tortuoso reencontro com uma musa de sua infância.
Gradiva é também a jovem que avança descalça, arriscando-se com graça e coragem sobre um chão acidentado, assim como o desejo inconsciente que lateja e pulsa no sonho, no delírio, com o ímpeto de precipitar-se pelas meandros psíquicos. |
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