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A indiferença e o sentimento de não-existência.

Tenho pensado como, na atualidade, há um tipo de demanda que parece ser muito intrigante: a demanda de não se sentir afetado pelos outros. Encontramos ilustrações a esse respeito nas mais variadas situações: no ódio frente a uma frustração amorosa, na tristeza pela perda de um ente querido, na atração por alguém a quem não se admite tal sentimento, no amor por alguém a quem se despreza, etc., mostrando o incômodo de alguns em assumir determinadas paixões provocadas pelos vínculos com outras pessoas, o que acarreta em uma tentativa de anular o impacto destas relações nas próprias vidas, o que não é realizado sem consequências.



Tentar apagar tais sentimentos é procurar ter uma vivência centrada em uma noção de autonomia compreendida como o desligamento do laço com os outros, o que acarreta em uma sensação de esvaziamento subjetivo que traz muito sofrimento. Neste sentido, vemos queixas de pessoas que não sentem ânimo para qualquer tipo de busca, tornando o horizonte da sua existência muito raso, sem perspectivas futuras.


Assim, o eixo central deste pedido por não se afetar pelo outro pode ocorrer a partir de uma manobra defensiva pelo viés da indiferença. Para Freud, o oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença. Tanto o ódio como o amor implicam o estabelecimento de um laço com o outro, de pessoas a quem depositamos algum tipo de sentimento. Já a indiferença é, ao contrário, uma tentativa de rompimento deste laço, o que entra em sintonia com esta tentativa de não sentir e, especialmente, de não mostrar para o outro que ele fez algo que nos tornou vulneráveis. A busca seria de uma sensação de superioridade por uma espécie de ideal em não se mostrar afetado.


O pano de fundo de toda essa problemática se dá por um sentimento de inferioridade frente ao outro a quem se acredita estar tranquilo e feliz, por ter supostamente a capacidade em ligar-se e desligar-se dos outros a seu bel-prazer. Desta forma, a saída pela indiferença traria certa impressão de independência deste outro.


O advento da Psicanálise mostra, no extremo oposto desta demanda da atualidade por apagar a importância do outro, que nós somente podemos nos constituir justamente por estabelecermos laços com pessoas que são importantes para nós, que são vínculos significativos estabelecidos desde os primórdios de nossas vidas.



Não há, portanto, como dispensar o laço com as outras pessoas, justamente porque é a partir do que falamos para os outros e do impacto que esta relação nos causa que podemos pensar sobre nossas próprias questões. Aspirar algo para chegar a um determinado ponto sem percalços, sem embates e seus impactos com os semelhantes, não é desejar: é seguir a vida de forma operacional, sem realizar as próprias marcas, não escrevendo a própria história.

Fabiana S. Pellicciari

psicanalista membro do TRIEP

fabiana.pellicciari@gmail.com

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