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Ano começando, mas e as mudanças?

No início de cada ano temos o hábito de repensar no que se foi e fazer planos para o que virá. Neste ano que se inicia, temos ainda a missão de nos adaptarmos, da forma que for possível, a esta época tão difícil que estamos vivendo, com tantos limites e tantas perdas. Nossos planos devem ser remanejados a partir das circunstâncias externas que se impõem a nós e que nos exigem mudanças.



Diante deste cenário, ao contrário das reformulações necessárias, podemos nos apegar aos velhos comportamentos e antigos pensamentos por acreditarmos que eles nos dão um certo chão por onde pisar. Ou, ao contrário, podemos justamente aproveitar e rever o que nos faz questão. Porém, muitas vezes queremos seguir em frente sem jogar velhos hábitos fora. Dizemos querer mudanças, mas talvez não tanto assim...


Afinal, o que dizer acerca de nós mesmos quando não temos uma nova roupagem para colocar no lugar daquela outra com a qual tanto reclamamos, mas que nos é tão conhecida e útil?


Mudar é ter de deixar algo para trás. Afinal, toda escolha implica necessariamente em uma perda. Será que queremos perder algo?


Em nossos relacionamentos, podemos preferir permanecer no lugar daquele que sofre e nunca tem nenhum tipo de responsabilidade sobre o que lhe acomete. Deixamos para os nossos parceiros (irmãs, tios, maridos, mãe, etc.) a responsabilidade pelos nossos infortúnios. A mudança começa a se delinear quando passamos a nos perguntar sobre o nosso posicionamento nessa bagunça toda que nos enfiamos ou que nos foi imputada por outros, pouco importa a busca por culpados. A questão é por responsabilização, ou seja, como nos interrogamos sobre aquilo que nos afeta.



A mudança dos outros nos impõe um certo reposicionamento de nossa parte, ou seja, reenviamos a nós mesmos a questão: o que queres? É a pergunta que decorre de nossa posição com relação ao nosso desejo, como afirma Lacan. Isto significa que o desejo, em psicanálise, não tem a ver com uma formulação do tipo: “eu desejo que você mude algo para eu ser feliz”, o que implicaria exigir (e não desejar) garantias. O desejo tem a ver com o fato de admitirmos que somos afetados com o que ocorre ao nosso redor e de nos sentirmos tocados a partir de nossa relação com as outras pessoas para podermos, a partir disso, deixar que surjam as nossas perguntas fundamentais que se ligam necessariamente com a nossa história de vida e que, muitas vezes, nem sequer conhecíamos.


Neste processo, acabam transparecendo as nossas fragilidades, as nossas contradições, aquilo que não queríamos deixar aparecer. Não saímos os mesmos, algo que nos pertencia também se vai: a nossa velha imagem sustentada com tanto carinho. Será que nos permitimos tanta estranheza de nós mesmos? Será que deixamos nos afetar pelo que nos cerca?


Fabiana Sampaio Pellicciari

psicanalista membro do TRIEP

fabiana.pellicciari@gmail.com


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