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Aos interessados em curso de Psicanálise - Parte 2

Ao recebermos pedidos para a formação em psicanálise, vemos que algumas pessoas desconhecem completamente a importância de um processo de análise pessoal do candidato ao ofício de psicanalista.



Entendem, alguns, que é só realizarem um curso, receber um certificado e pronto. Ou até acreditam que podem condicionar o início da análise pessoal se forem participar do curso. Se não forem participar, não vão buscar tratamento psicanalítico.


Primeiro, é fundamental entender que a transmissão da Psicanálise não se sustenta no campo da aprendizagem comum.


Em nosso artigo “Um curso ou um (per)curso”, escrevemos que: “nossa proposta de trabalho é a de caminhar numa espécie de “antimodelo” daquilo que habitualmente entendemos por curso. Queremos dizer que, os efeitos desse curso serão diferentes daqueles provocados pela pura comunicação do ensino tradicional...”


Então, temos que entender que não estaremos no campo da aprendizagem tradicional e sim, no campo de uma experiência, ou seja, vamos absorver o que é transmitido de forma experiencial.


A experiência da análise pessoal do psicanalista é a que possibilitará seu acesso ao próprio inconsciente e assim, se constitui um dos principais meios para seu percurso formativo. Pois, como escreve Freud, em seu artigo “As perspectivas futuras da terapêutica psicanalítica” (1910):


“[...] notamos que nenhum psicanalista avança além do quanto permitem seus próprios complexos e resistências internas; e, em consequência, requeremos que ele deva iniciar sua atividade por uma autoanálise e leva-la, de modo contínuo, cada vez mais profundamente [...]”


E ainda, constatamos a importância da análise do psicanalista, com o que segue Freud no artigo acima citado:


“Qualquer um que falhe em produzir resultados numa autoanálise desse tipo deve desistir, imediatamente, de qualquer ideia de tornar-se capaz de tratar paciente pela análise.” (grifo meu).


Há os que creem, sintomaticamente, que o estudo teórico da Psicanálise seria tal que atenderia também a compreensão psíquica de si mesmos. Sem dúvida, é preciso recorrer a um estudo teórico da teoria psicanalítica, base da formação, como também o estudo de outros campos do saber para esse percurso formativo. Porém, só o estudo ou conhecimento da teoria psicanalítica não será suficiente para a sua prática clínica e/ou conhecimento de si mesmo.



Sandor Ferenczi, psicanalista húngaro, no seu texto “Elasticidade da técnica” (1928) escreve que: “[...] a segunda regra fundamental da psicanálise, isto é, quem quer analisar os outros deve, em primeiro lugar, ser ele próprio analisado.” Coloca, assim, a análise pessoal do analista como uma experiência necessária a ser vivida pelo psicanalista em formação.


Onde e como pode o pobre coitado adquirir aquela habilitação ideal, necessária em sua profissão? A resposta é: na própria análise, com a qual começa sua preparação para a sua atividade futura.” (FREUD, 1937, Análise finita e a infinita)



Daisy Lino

Psicanalista, membro efetivo do TRIEP

daisy_lino@hotmail.com


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