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Como escolher um psicanalista para chamar de seu


A busca e escolha por um psicanalista para iniciar uma análise pode trazer algumas dúvidas e hesitações. De fato, é algo que requer cuidado afinal será um profissional que irá acompanhar um processo analítico por um bom tempo.


A psicanalista Silvia Bleichmar em seu livro Do motivo de consulta à razão de análise, adverte:

“Não há, talvez, dano maior à vida humana (exceto a morte) que o seu desperdício. Por isso, os longos anos de análise malsucedida, pelos quais atravessam muitos seres humanos, não podem ser catalogados, frivolamente, apenas como uma “perda de tempo e de dinheiro”, se considerarmos que o tempo é, precisamente, aquilo que marca as possibilidades de realização da vida no contexto da finitude da existência.” (p.15)


Em vista, então, do tempo das possibilidades de realizações da vida, ante a finitude, o cuidado na escolha do psicanalista para empreender uma análise é importante. A indicação de um conhecido de confiança que conheça um psicanalista, seja porque fez análise ou sabe de alguém que se analisou com ele, pode ser um caminho. Pesquisar sobre o profissional é necessário porque alguns, sem o compromisso ético com o tripé da formação (estudos, análise pessoal e supervisão clínica), se autodenominam psicanalistas de forma ilegítima.


Será, principalmente, no contato com o profissional que se dará a possibilidade de colocar atenção em detalhes que podem ajudar na escolha. Ao realizar a primeira entrevista com um psicanalista é importante perceber como se sente na presença dele e no ambiente oferecido: se “vai com a cara” e se está se sentindo minimamente confiante ou confortável para falar. Se não estiver nessas condições isso não quer dizer que o profissional não é bom, só quer dizer que a busca continua.


As entrevistas iniciais têm a função, pelo lado do candidato à análise, de que ele possa se observar e, assim, verificar o grau da sensação de confiabilidade que lhe desperta o contato com o psicanalista. Do lado do psicanalista, as entrevistas iniciais têm a função de compreender a busca e o sofrimento psíquico apresentado pela pessoa e, também, verificar se quer/pode trabalhar ou não com esse que entrevista. Como se pode ver, essas entrevistas são importantes para que ambos os lados verifiquem o quanto podem empreender a jornada de uma análise juntos ou não.


A ética da psicanálise exige que o tratamento psicanalítico possibilite o surgimento de um sujeito “de dentro para fora” e jamais o contrário. Ou seja, o tratamento não visa a normatização e adequação social. O tratamento psicanalítico visa o trabalho subjetivo de construir/reconstruir a singularidade daquele que se analisa.


Implicado com a ética da psicanálise, um psicanalista não vai nunca decidir o destino daquele que se coloca aos seus cuidados, não vai se colocar como “exemplo de vida” (contando as soluções que deu aos seus problemas, por exemplo), não vai recomendar essa ou aquela religião para melhorar a “espiritualidade” de quem quer que seja.


Freud em “Linhas de progresso na terapia psicanalítica” (1919) diz:

“Isso porque consegui ajudar pessoas com as quais nada tinha em comum – nem raça, nem educação, nem posição social, nem perspectiva de vida em geral – sem afetar sua individualidade.” (p.207)


E vale salientar que, determinados quesitos não necessariamente vão poder conduzir a uma boa escolha ou vão garantir um bom percurso do processo analítico, como por exemplo, querer um psicanalista com certa idade, com consultório moderno ou não, homem ou mulher, etc.


Se permitir vivenciar a experiência do encontro com um psicanalista, uma vez que nos vinculamos ao outro por identificações inconscientes, valerá mais do que preencher um checklist.


“Viver é um rasgar-se e remendar-se” (Guimarães Rosa)



Daisy Maria Ramos Lino

Psicanalista, membro do TRIEP.

daisy_lino@hotmail.com


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