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Racismo e o ódio ao outro

Celebramos na sexta-feira passada, dia 20 de novembro, o dia da Consciência Negra. No dia anterior, um homem negro foi morto em uma loja do Carrefour em Porto Alegre, depois de ter sido brutalmente agredido pelos seguranças do local.




Há ainda aqueles que dizem não haver racismo no Brasil, apesar das mais variadas evidências contrárias a essa afirmativa que são testemunhadas todos os dias pelo povo brasileiro. Na própria história da psicanálise, até outro dia, tínhamos pouco conhecimento da psicanalista Virgínia Bicudo, mulher negra que teve uma ação importante na disseminação da psicanálise no Brasil, tendo participado de estudos e debates raciais.


Uma forma eficiente para procurar eliminar um grupo de uma sociedade é pela via de sua invisibilidade. Um exemplo é pensar como muitos negros que foram escravizados e seus descendentes não carregaram em seus sobrenomes a sua filiação africana, tendo em alguns casos apenas o sobrenome do senhor de engenho, no caso de serem seus descendentes. Tal fato nos impõe as perguntas: de onde viemos? Quais as nossas raízes africanas?


É importante nos colocarmos, todos nós, estas perguntas. Não há um só brasileiro que não possa se implicar nestes eventos violentos contra os negros no Brasil, mesmo aqueles que não possuem ascendência negra, já que convivemos nesta sociedade extremamente miscigenada, onde todos os povos se conversam e estabelecem entre si relações das mais diversas. Resta nos perguntarmos como lidamos com a violência em nosso cotidiano. Para tanto, vamos chamar a psicanálise para nos auxiliar neste propósito.


Freud mostra como a agressividade está presente desde os primórdios da vida. O aparelho psíquico, no início de sua constituição, realiza uma cisão a partir de um julgamento de atribuição: o que é bom, pertence ao ego, já o que causa desprazer e, portanto, é mau, pertence ao mundo externo. Com o avanço da estruturação psíquica, o ego passa a reconhecer como seus os aspectos maus e começa a lidar de forma mais complexa com este aspecto da vida mental.



Porém, a agressividade nunca será totalmente apaziguada: ela se situa na base de nossas relações com as outras pessoas, como salienta Lacan, e diz de uma tensão constante da luta permanente por reconhecimento. Quanto mais nos sentimos ameaçados em nosso lugar de existência, maior será a nossa reação agressiva. Podemos pensar, portanto, que a tentativa de rebaixar o negro à condição subalterna ou mesmo a sua eliminação, serve para pensar como nos sentimos ameaçados por sua presença e luta legítima por um lugar digno. É necessário fazermos esta reflexão ética ao invés de nunca olharmos para o que nos afeta quando da conquista de um lugar de expressão e de afirmação de si de uma parcela da população que é constantemente silenciada.


Desta forma, ao invés de tentarmos afirmar que o outro não tem nada a ver conosco, precisamos nos implicar nisso que nos afeta, para não retornarmos àquele raciocínio inicial de nosso aparelho psíquico onde o outro é o representante do mau e difere de quem eu sou identificado a tudo o que é bom. Esta equação, muito presente ainda em uma sociedade cindida como a nossa, só pode reforçar ainda mais tal segregação e o próprio ódio que ela comporta. Ao contrário, é preciso que chamemos a nossa participação neste processo como sociedade, já que o racismo é um problema de todos nós.


Fabiana Sampaio Pellicciari

psicanalista membro do TRIEP

fabiana.pellicciari@gmail.com


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