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Sei tudo que penso, escolho e faço?

Tenho absoluta consciência e controle sobre tudo o que digo e faço? O que me leva a dizer ou fazer algo é mesmo pelos motivos que penso?



Pois é, estaremos muitíssimo enganados se acreditarmos que somos senhores absolutos da nossa mente.


Isso porque somos habitados, também, por um inconsciente. No início do século XX, Sigmund Freud apresentou a causalidade psíquica, ou seja, o comportamento humano estaria determinado por uma natureza biológica, como estuda a medicina, e também, pelo inconsciente.


O que é inconsciente para a Psicanálise? Aproveitando essa ocasião aviso, subconsciente não existe. Inconsciente para a Psicanálise não é o mesmo que um estado sem consciência, muito menos é alegação suficiente para livrar alguém das responsabilidades de seus atos.


Freud utiliza-o para nomear um sistema psíquico diferente dos demais e dotado de atividade e lógica próprias. O inconsciente freudiano não é o caos, o mistério, o ilógico ou a parte louca de cada um de nós. Também não é aquilo que se encontra “embaixo" da consciência.


É uma parte de um sistema de funcionamento da mente, tem sua parcela de participação em nossos comportamentos, falas e emoções. Daí, nossas escolhas na vida não serão somente determinadas pelo consciente ou pela simples vontade, mas também por este outro sistema que compõe a mente.


Para Freud, o inconsciente funciona de uma forma própria e se expressa em uma linguagem diferente da racionalidade. Usa de expressões indiretas para se manifestar, tais como os esquecimentos, atos falhos, os sonhos e os sintomas.


Dizer que se sabe o que se está fazendo ou escolhendo para a vida é algo extremamente relativo. O legítimo “dono” de seu inconsciente é aquele que fala, só ele sabe, sem saber que sabe.


Em alguns momentos podemos nos perguntar: o que faço aqui? O que torna minha vida tão insuportável? O que posso fazer para encontrar uma solução para esse problema? São perguntas fundamentais, mas não são fáceis de serem respondidas sozinho.


Em Psicanálise supomos que o analisando está se “curando” à medida que se pergunta sobre sua participação em seu sofrimento e se põe a falar na sua análise.


A cura é pela fala. Freud diz que as pessoas podem achar estranho que meras palavras possam curar ou aliviar os sofrimentos da mente e do corpo, mas as palavras possuem uma certa “magia”.


Ao falar na análise vamos pensando e construindo, através da linguagem, uma nova maneira de compreender os nossos sofrimentos, as nossas escolhas, a nossa história.



A partir do referencial - “o ego não é amo em sua própria morada” - Freud dá outro lugar às palavras e vai além delas, buscando aquilo que é dito, mas, também, aquilo que é não dito. As palavras falam de algo que o analisando pretende falar e, também, daquilo que ele busca esconder. Assim, a escuta em Psicanálise não é qualquer escuta.


O psicanalista se propõe a escutar o que “não ouve”, escutando o conflito, o sofrimento humano. Uma escuta que acompanha o analisando a se dar conta de sua própria singularidade e se implicar com ela, isto é, decidir o que fazer com isso.


Elisabeth Roudinesco, psicanalista francesa, em Por que a Psicanálise? escreve: “... o método psicanalítico é um tratamento baseado na fala, um tratamento em que o fato de se verbalizar o sofrimento, de encontrar palavras para expressá-lo, permite, senão curá-lo, ao menos tomar consciência de sua origem e, portanto, assumi-lo.”


Daisy Lino

Psicanalista, membro efetivo do TRIEP

daisy_lino@hotmail.com

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